O que é a computação em nuvem

Comecemos por explicar que tipo de benefícios um empresário (ou qualquer outro utilizador) pode ter com a utilização desta tecnologia.
- Custo
O uso profissional da computação em nuvem não é naturalmente gratuito, mas pode reduzir as despesas que uma empresa teria de suportar se decidisse utilizar os seus próprios servidores (custo de compra, instalação, ar condicionado, aluguer de espaço, suporte informático, entre outros). Embora tenha de suportar os custos de utilização da nuvem, estes podem revelar-se mais reduzidos comparativamente à abordagem tradicional.
- Segurança
Embora à primeira vista possa parecer menos seguro do que ter os seus próprios servidores, lembre-se de que no primeiro caso teria de tratar das suas próprias cópias de segurança, proteção de dados, atualizações de segurança, etc. No que se refere à computação em nuvem, beneficia de profissionais (geralmente grandes empresas) que disponibilizam o mais alto nível de segurança com a mais recente tecnologia. A transferência de responsabilidade pode ser uma boa decisão. Também pode usar diferentes tipos de nuvens para aumentar a segurança ou pode mover apenas parte dos seus dados para a nuvem e manter os que requerem maior privacidade nos seus servidores.
- Simplicidade e economia de tempo
A computação em nuvem é fácil de utilizar (para o utilizador final) e não requer competências informáticas avançadas por parte dos empresários. Tal permite-lhes concentrarem-se estritamente na gestão dos seus negócios, sem terem de prestar atenção à manutenção de servidores, etc.[1] A nuvem também facilita muito mais aos programadores a conceção ou teste de aplicações (assunto que abordaremos mais à frente). A poupança de tempo deve-se ao fato de o empresário não ter de gerir este processo sozinho ou através dos seus funcionários, mas sim da subcontratação. A poupança de tempo pode também resultar da utilização de soluções existentes, em vez de as criar.
- Versatilidade
A utilização da computação em nuvem é também uma solução versátil. Na prática, significa que se pode utilizá-la através de qualquer equipamento ligado à Internet. Esta é, evidentemente, uma boa notícia para os empresários, que não precisam de ter escritórios físicos para gerir o seu negócio. Paralelamente, a versatilidade desta solução é também expressa no fato de o serviço de computação em nuvem poder ser adaptado a uma empresa específica. Permite aos empresários pagar e utilizar apenas as ferramentas de que necessitam[2].
- Conforto
O conforto é uma espécie de síntese dos pontos anteriores. A computação em nuvem constitui uma oportunidade em que um empresário não tem de se preocupar em ficar sem espaço nos servidores, utilizando tecnologia desatualizada, que uma falha irá parar o funcionamento da empresa ou que não protege suficientemente os dados armazenados, entre outros aspetos. O conforto de utilização é também proporcionado pela transferência de responsabilidade para o fornecedor.
Então, como começar a utilizar a computação em nuvem?
Antes de mais, precisamos de compreender a terminologia e alguns conceitos sobre os modelos e tipologias associadas a esta tecnologia.
Tipos de nuvens
Ao decidir-se pela computação em nuvem, deve estar consciente da sua diversidade, existindo três tipologias mais conhecidas:
- nuvem pública;
- nuvem privada;
- nuvem híbrida.
Nuvem pública
O utilizador depende de fornecedores externos para disponibilizar capacidade de armazenamento ou processamento de dados. Neste caso, todo o trabalho relacionado com os serviços é responsabilidade do prestador de serviços. Entre os problemas mais significativos deste tipo de nuvem, refiram-se as limitações na individualização de ferramentas[3]. A empresa paga pela sua utilização da nuvem, não tendo de se preocupar com os custos iniciais (como comprar servidores, pagar aos seus administradores do sistema, etc.). Este tipo de nuvem é partilhado pelos seus utilizadores. Graças às economias de escala, é um método muito rentável de realizar operações de TI.
Nuvem privada
A nuvem privada apenas permite o acesso a utilizadores específicos. É, normalmente, propriedade de uma empresa/organização e utilizada pelos seus funcionários. Esta solução permite um maior controlo da utilização da nuvem e da segurança dos dados. Neste caso, as empresas necessitam da sua própria infraestrutura de TI[4]. As especificidades da nuvem podem ser adaptadas às necessidades da organização, ainda que tal possa ser um processo moroso[5].
Nuvem híbrida
Uma nuvem híbrida é uma combinação de nuvens públicas e privadas. Consiste na possibilidade de uma organização poder utilizar o poder computacional de uma nuvem pública e, ao mesmo tempo, utilizar nuvens privadas para uma maior segurança dos dados.
Por vezes, também se podem encontrar outros tipos de computação em nuvem (menos comuns). Entre os mesmos, podemos distinguir as nuvens múltiplas e a nuvem comunitária.
Nuvens múltiplas
Este termo é muitas vezes confundido com a nuvem híbrida. A nuvem múltipla refere-se a um ambiente suportado em várias nuvens. Ou seja, quando uma organização utiliza vários fornecedores de nuvens. Podem estar relacionados, mas não têm necessariamente de estar[6]. Podem ser todas públicas, todas privadas ou uma combinação de nuvens públicas e privadas[7].
Nuvem comunitária
Outro exemplo de computação em nuvem é a nuvem comunitária, na qual a nuvem é partilhada entre várias organizações ou funcionários específicos. Esta nuvem só faz sentido para empresas que partilham a mesma missão ou que necessitam dos mesmos requisitos de segurança[8].
Modelos de computação em nuvem
Ao discutir a computação na nuvem, vale a pena referir os modelos de serviços na nuvem. São muito frequentemente apresentados sob a forma de pirâmide.

Esta forma de apresentação reflete a relação entre os mesmos e a dimensão da área que cobrem.
Pode dizer-se que quanto mais alto se está na pirâmide, menos competências informáticas são necessárias (o número de atividades geridas é menor).
SaaS é o campo em que os utilizadores finais trabalham.
PaaS é o campo em que os criadores trabalham.
IaaS é o campo em que os administradores de TI trabalham.
Mas o que significam estas designações?
- IaaS (Infrastructure as a Service) – Infraestrutura como Serviço
O IaaS constitui o tipo mais amplo. Ao decompor este acrónimo em partes, vale a pena compreender o que “Infraestrutura” significa neste caso. Como a designação indica, refere-se à infraestrutura informática, o que significa que disponibiliza ao cliente:
- Armazenamento;
- processamento (o fornecedor fornece CPUs virtualizadas, GPUs, HPCs);
- recursos da rede[1].
Tal significa que, enquanto cliente, em vez de comprar servidores e hardware, “aluga-os” a um fornecedor externo num formato virtual[2]. O cliente utiliza os seus programas e aplicações, que estão localizados nos servidores do fornecedor[3], usando as suas capacidades de processamento.
No que se refere aos modelos de pagamento pela utilização do serviço, ainda que existindo vários, o mais popular será o “pay-as-you-go”. Neste modelo, o cliente paga pelo tempo de utilização (horas, semanas, etc.) e/ou pelo espaço utilizado (dimensão dos ficheiros armazenados)[4].
Exemplos de alguns fornecedores de IaaS:
- Amazon AWS;
- DigitalOcean;
- Microsoft Azure;
- Rackspace Open Cloud;
- Google Compute Engine;
- HP Enterprise Converged Infrastructure;
- IBM SmartCloud Enterprise.
- PaaS (Plataform as a Service) – Plataforma como Serviço
No que diz respeito ao PaaS, “Plataforma” é a palavra-chave. Este modelo destina-se especialmente a programadores para o desenvolvimento de software, testes, etc., em que o fornecedor disponibiliza ferramentas nas quais podem trabalhar[5]. O fornecedor assume responsabilidades, por exemplo, pela segurança, disponibilização de software e criação de cópias de segurança[6].
O fornecedor disponibiliza o designado “ambiente de desenvolvimento”, que pode reduzir o tempo de trabalho dos programadores[7]. As ferramentas oferecidas às empresas incluem também geralmente um serviço de análise ou de monitorização de negócios[8].
O PaaS é também ideal para trabalhar num único produto por pessoas de diferentes locais/zonas horárias, uma vez que é acessível através da Internet[9].
Exemplos de alguns fornecedores de PaaS:
- Oracle Cloud Platform;
- Google App Engine;
- Microsoft Azure;
- Salesforce aPaaS;
- Red Hat OpenShift PaaS;
- Mendix aPaaS;
- SAP Cloud Platform.
- SaaS (Software as a Service) – Software como Serviço
O SaaS corresponde ao nível mais alto da pirâmide no que se refere a modelos de nuvens, o que significa que requer um nível básico de conhecimentos de TI por parte do utilizador. É muito comum e provavelmente usou-o muitas vezes sem sequer se aperceber. Utiliza folhas do Google? Então, fê-lo através do SaaS. Neste caso, enquanto cliente, dispõe do serviço completo por parte do fornecedor e não tem de se preocupar com operações de TI. Tal significa que não tem de gerir o software (não o tem de instalar ou atualizar), pois é na nuvem que acede ao mesmo com o seu navegador ou faz cópias de segurança, etc. Todo este trabalho é desenvolvido pelo seu fornecedor[10].
Em regra, o pagamento é efetuado num modelo de assinatura (paga o serviço numa base mensal), podendo alguns fornecedores ser gratuitos – neste caso, com funcionalidades limitadas.
Exemplos de alguns fornecedores de SaaS:
- Salesforce;
- Microsoft (por exemplo, o Office 365);
- Adobe Creative Cloud;
- Box;
- Google G Suite;
- Slack;
Além destas três tipologias mais conhecidas, existem outras, menos frequentes. É importante lembrar que é possível combinar todos estes modelos.
Quando procura informações sobre estes modelos, poderá deparar-se frequentemente com imagens gráficas que sintetizam quer as responsabilidades do prestador de serviços, quer as suas, enquanto utilizador (cliente/empresa).
Imagem 1. Comparação do Controlo dos diferentes Modelos de Serviços na Nuvem

Fonte: https://blog.trendmicro.com.br/nuvem-o-que-e-qual-sua-utilidade/
A imagem anterior representa um exemplo dessas imagens gráficas. Sintetiza, de forma clara, a divisão de controlo nos diferentes modelos.
Também é possível encontrar uma descrição destes modelos através dos exemplos figurados das operações de um restaurante ou de um automóvel. A IBM Cloud lançou um vídeo no YouTube no qual Tessa Rodes explica estes modelos, através do exemplo de um automóvel.
O IaaS é apresentado como sendo o serviço de leasing automóvel. Tal significa que, ao escolhermos este veículo (IaaS), realizamos uma investigação aprofundada, pois estamos interessados no seu desempenho, na sua cor, conforto, entre outros aspetos do automóvel. Em termos de utilização, conduz o veículo e paga o combustível e a manutenção.
O PaaS é apresentado como sendo o serviço de aluguer de automóveis. Para tal, não desenvolve uma pesquisa tão exaustiva, nem está tão interessado no desempenho, mas continua a ser o condutor e a pagar o combustível.
O SaaS é apresentado como o serviço de táxi. Não lhe interessa que tipo de carro é ou qual a sua cor, desempenho, etc. Neste caso, não é o condutor e não paga pelo combustível ou pela sua manutenção – está incluído no preço do serviço[1].
Esta apresentação, através de um exemplo, é uma boa maneira de compreender melhor as especificidades destes três modelos.
Além dos anteriormente mencionados, existem também outros modelos menos populares de computação em nuvem:
- BMaaS (Bare metal as a Service)
Neste caso, os clientes recebem servidores físicos e podem usá-los de forma ilimitada. Podem utilizar qualquer sistema operativo e instalar as suas próprias aplicações e hipervisores* para criar as suas máquinas virtuais[2]. Os pagamentos são geralmente mensais.
* os hipervisores são ferramentas desenvolvidas para gerir os processos de virtualização[3].
- MBaaS (Mobile backend as a service)
Este é um modelo muito semelhante ao SaaS, mas destina-se a criar e testar aplicações móveis, disponibilizando uma infraestrutura que apoia o trabalho dos programadores que visam criar aplicações móveis. Por conseguinte, é recomendado para empresas/start-ups especializadas neste domínio[4].
Podemos ainda encontrar modelos como:
- CaaS (Content as a service)/MCaaS (manager content as a service);
- FaaS (Function as a service);
- DaaS (Data as a service);
- NaaS (Network as a service);
- SECaaS (Security as a service).
[1] https://www.youtube.com/watch?v=QAbqJzd0PEE
[2] https://www.redstation.com/blog/bare-metal-cloud-vs-iaas-are-they-the-same-thing/
[3] https://en.wikipedia.org/wiki/Hypervisor
[4] https://blog.back4app.com/2019/10/23/mbaas-vs-paas/
