O futuro da computação em nuvem

Fonte: https://unsplash.com/photos/aiyBwbrWWlo
Para que se possa compreender que tecnologias podemos ter no futuro quando nos referimos ao desenvolvimento da computação em nuvem, vale a pena começar pela breve história desta tecnologia.
Breve história da computação em nuvem
Começamos em 1996, embora na verdade a história tenha sido iniciada muito antes, pois a origem desta tecnologia pode ser sinalizada já nos anos 60 do século passado, relacionada com a visão da Licklider de “rede informática intergaláctica”, ou, também, com a história da IBM (sistemas operativos de virtualização). A nossa história, porém, inicia-se nos anos 90, porque é nesta década que são dados os primeiros passos estreitamente relacionados com o conceito de computação em nuvem.
1996 – Utilização, pela primeira vez, do termo “computação em nuvem”
O termo é utilizado pela primeira vez num documento interno da Compaq Company, que apresenta possíveis tecnologias, incluindo o armazenamento em nuvem[1]. Um ano depois, foi utilizado por Ramanth Chellappa (professor na Universidade do Texas), sendo frequentemente citado como autor da definição desta tecnologia[2].
1999 – Lançamento do Salesforce.com pela SalesForce
Este é considerado como um dos principais passos no desenvolvimento desta tecnologia. A SalesForce lança o Salesforce.com, tornando-se líder no fornecimento de soluções de serviço SaaS[3].
2002 – Criação dos Serviços Web da Amazon
O atual líder no mercado de serviços na nuvem foi criado em 2002, com a ideia de fornecer serviços de forma a que os clientes pagassem apenas pelo que utilizavam. No início, o serviço foi totalmente gratuito[4].
2007 – Criação da Dropbox
Em 2007, é criada a Dropbox, disponibilizando um serviço de armazenamento designado SpiderOak, o qual permitia cópias de segurança online ou partilha de dados com base na nuvem, para utilizadores individuais e empresariais[5].
Nos anos seguintes, foram criadas outras grandes plataformas, tais como a Google App Engine (2008), a Microsoft Azure (2010), a plataforma Openstack gratuita (2010) e, finalmente, a IBM SmartCloud (2011).
O futuro da computação em nuvem
A computação em nuvem é ainda uma tecnologia relativamente recente, estando a tornar-se amplamente conhecida por pessoas que não estão envolvidas no setor das TI. Há certamente muito a alcançar, mas as evidências relevam como esta tecnologia será importante para o desenvolvimento do armazenamento de informação digital.
A tecnologia de computação em nuvem é designada de tecnologia do futuro, tendo um valor de mercado estimado em mais de 266 mil milhões de dólares em 2019, esperando-se que aumente 14,9% até 2027 (CARG – Compound Annual Growth Rate)[6]. Entre os fatores mencionados como os que podem ter maior impacto no desenvolvimento desta tecnologia, encontram-se frequentemente:
- Internet das Coisas (IdC);
- Edge computing;
- 5G;
- Inteligência Artificial (IA);
- Machine Learning (ML)
A IdC e a computação em nuvem podem articular-se, com vantagens significativas. A computação em nuvem desenvolvida com este propósito será um local de recolha de enormes bases de dados que poderão mais tarde ser analisadas pela IdC. Graças ao elevado desempenho da computação em nuvem, será possível obter os resultados mais rapidamente no que se refere, por exemplo, a processos analíticos[7].
O grande potencial para o desenvolvimento da computação em nuvem depende também da tecnologia 5G. É extremamente importante, pois proporciona incomparavelmente mais ligações por km2 comparativamente à tecnologia antecessora (LTE). Estas possibilidades emergentes de comunicação estão alinhadas com a ideia de Smart City[8].
Um relatório preparado pela RightScale evidencia que 81% das empresas com mais de 1.000 funcionários têm uma estratégia multiplataforma. Estima-se que este valor percentual aumente para 90% em 2024[9].
Esta tecnologia está a desenvolver-se a um ritmo incrível. Entre as tendências atuais do seu desenvolvimento, pode mencionar-se, por exemplo, a contentorização, que envolve a divisão da aplicação em partes – cada peça de código é responsável por alguma função específica da aplicação -, o que é vantajoso para a qualidade e para a rapidez do trabalho dos programadores[10].
Entre as possibilidades que a computação em nuvem disponibilizará no futuro, é frequentemente mencionada a capacidade de jogar. Esta seria uma solução benéfica para muitos jogadores que precisam de atualizar constantemente o seu hardware – um processo muito dispendioso – para poderem jogar novos jogos. Embora os primeiros sistemas já estejam em funcionamento, ainda precisam de ser melhorados[11].
Outro tópico de grande visibilidade relacionado com o futuro da nuvem é a deslocação de empresas para a mesma. As empresas estão a utilizar cada vez mais estas soluções, especialmente as oferecidas pelas nuvens híbridas, deslocando as suas infraestruturas para a nuvem[12].
A computação em nuvem influencia a Indústria 4.0 a vários níveis. Embora esta tecnologia ainda esteja a desenvolver-se e a começar a mudar a forma como as empresas trabalham, o seu efeito positivo é cada vez mais enfatizado. Releve-se a sua importância para o desenvolvimento da IA e da robótica. Para estas duas tecnologias, a computação em nuvem parece ser a base que permitirá o seu desenvolvimento. Uma vantagem inquestionável da nuvem é também o fato de beneficiar empresas de quase todos os tipos e tamanhos, num contexto em que o sucesso global da Indústria 4.0 depende do desenvolvimento de pequenas e médias empresas e da sua capacidade de inovação[13].
A nuvem tem muitas aplicações na Indústria 4.0, incluindo o seu contributo para o planeamento e identificação de tendências através da análise dos dados recolhidos[14]. Permite também otimizar e melhorar os processos, possibilitando às empresas uma melhor e mais rápida resposta às mudanças. No que se refere a este conceito, fala-se bastantes vezes também em construção na nuvem.
A construção na nuvem (cloud manufacturing – CMfg) é um processo concebido para virtualizar a produção e os seus processos e tornar a informação sobre os mesmos disponível para utilização. Deste modo, os dados podem ser visualizados e analisados a partir de qualquer lugar. A computação em nuvem desempenha um papel muito importante neste modelo e é fortemente apoiada pela virtualização e IdC[15].
O futuro da computação em nuvem é excitante, mas também incerto. Para alguns, terminará com o advento da computação de ponta (edge computing), o que não corresponde à verdade, pois existem muitas razões para utilizar ambas as tecnologias, em virtude de não existir concorrência entre as mesmas. No entanto, o desenvolvimento da nuvem está intimamente relacionado com as tecnologias anteriormente mencionadas, tais como a IdC, a Machine Learning ou a 5G. Valerá a pena acompanhar os próximos passos associados a esta evolução, pois a revolução que a computação em nuvem está a alcançar é significativa e há ainda países na Europa que não utilizam o seu potencial.
Desafios da utilização da computação em nuvem
[1] https://www.technologyreview.com/2011/10/31/257406/who-coined-cloud-computing/
[2] https://learn.g2.com/cloud-computing
[3] https://www.computerworld.com/article/3412271/the-history-of-cloud-computing–a-timeline-of-key-moments-from-the-1960s-to-now.html#slide4
[4] https://www.computerworld.com/article/3412382/the-history-of-aws–a-timeline-of-defining-moments-from-2002-to-now.html#slide1
[5] https://en.wikipedia.org/wiki/Timeline_of_Dropbox
[6] https://www.grandviewresearch.com/industry-analysis/cloud-computing-industry
[7] https://data-flair.training/blogs/future-of-cloud-computing/
[8] https://main.pl/5-strategicznych-kierunkow-rozwoju-uslug-cloud-computing/
[9] https://learn.g2.com/future-of-cloud-computing
[10] https://dataspace.pl/blog/chmura-obliczeniowa-cloud-computing-rozlozona-na-czesci-pierwsze/
[11] https://dataspace.pl/blog/trendy-it-ktorym-warto-sie-przyjrzec-2020/
[12] Ibidem.
[13] Como ganhar vantagem na computação em nuvem para a Indústria 4.0 e empresa 4.0, disponível em: https://www.reply.com/red-reply/en/Shared%20Documents/Red-Reply-How-to-take-advantage-of-cloud-for-Industrie4.0-and-enterprise4.0.pdf
[14] https://medium.com/world-of-iot/as-an-iot-platform-what-should-be-the-right-balance-of-data-computing-between-the-edge-and-the-ec6ea99344c8
[15] https://erpsoftwareblog.com/cloud/2016/06/what-is-cloud-manufacturing/

Source: https://unsplash.com/photos/SYTO3xs06fU
Fonte: https://unsplash.com/photos/SYTO3xs06fU
John W. Rittinghouse e James F. Ransome escreveram um livro em que sinalizam os maiores desafios das empresas dispostas a utilizar ou que já utilizam a computação em nuvem. Esses desafios prendem-se com a normalização, garantindo a segurança dos dados e o acesso rápido à Internet[1]. Embora o desenvolvimento tecnológico já tenha reduzido a amplitude destes desafios, permaneceram algumas questões relevantes por resolver, designadamente associadas à segurança. Que desafios enfrentamos atualmente quando nos referimos à computação em nuvem?
O primeiro desafio que a computação em nuvem invariavelmente enfrenta está associado à segurança.
Um relatório sobre segurança na nuvem, designado de Cloud Security Report, apresenta as preocupações que os profissionais de segurança cibernética têm sobre esta tecnologia. Revela que a maior ameaça na computação em nuvem é a má configuração das plataformas e o controlo inadequado do acesso aos dados[2].
Entre as preocupações que os profissionais da cibersegurança mencionam, estão a perda de dados, roubo de dados, violações da privacidade e da confidencialidade. Neste estudo, cerca de 90% dos inquiridos indicaram que têm preocupações com a segurança da computação em nuvem[3].
Outro dos desafios mencionados é a falta de compreensão de em que consiste a computação em nuvem, bem como as dificuldades em compreender como se processa a colocação de um negócio na nuvem. Esta questão é particularmente evidente nos dados fornecidos pelo Eurostat no que se refere ao número de empresas nos países europeus que utilizam estes serviços. As estatísticas revelam que, em 2018, 26,2% das empresas na UE utilizavam a computação em nuvem – principalmente para armazenar ficheiros e alojar sistemas de correio eletrónico[4]. É ainda um valor percentual reduzido, embora existam países como a Finlândia (65,3%), Suécia (57,2%) ou Dinamarca (55,6%) onde a sua utilização é significativa.
Outro desafio que a computação em nuvem enfrenta atualmente prende-se com a gestão de múltiplas nuvens em simultâneo. As estruturas híbridas e multinuvem são populares e mais comummente utilizadas pelas empresas, mas existem problemas com a sua gestão de forma eficaz. Um desafio relacionado é o problema da construção de uma nuvem privada pelos administradores de TI numa empresa[5].
É claro que existem muitos mais desafios. Os especialistas que desenvolvem esta tecnologia lidam com os mesmos, surgindo frequentemente outros. No entanto, releve-se que a nuvem é segura e não se deve preocupar em utilizá-la, desde que tome as devidas precauções.
[1] J. W. Rittinghouse, J. F. Ransome, Cloud computing Implementation, Management, and Security, CRC Press, 2009.
[2] https://crowdresearchpartners.com/portfolio/cloud-security-report/
[3] https://medium.com/cloud-management-insider/top-cloud-computing-challenges-you-might-face-in-2020-5dcb56ddcc21
[4]https://ec.europa.eu/eurostat/statistics-explained/index.php/Cloud_computing_-_statistics_on_the_use_by_enterprises#Enterprises.E2.80.99_dependence_on_cloud_computing
[5] https://www.datapine.com/blog/cloud-computing-risks-and-challenges/
